O ex-prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli (PP), escolheu a Rádio Som Maior, de Criciúma, para dar sua primeira entrevista após os episódios da Operação Mensageiro. O bate-papo aconteceu por telefone na manhã desta sexta-feira, dia 26 de julho, no programa do jornalista Adelor Lessa.
Até então, o político somente havia se manifestado publicamente por vídeo, uma única vez, em publicação realizada no dia 30 de junho, um dia após ter sua prisão preventiva substituída por medidas cautelares.
Durante a conversa, Joares confirmou sua intenção de disputar as eleições de outubro como candidato a vereador. Ele garantiu que essa possibilidade não estava em seu planejamento, mas que tem disposição suficiente para seguir em frente com a ideia.
“Eu pedi um prazo até a próxima semana para poder avaliar. Primeiro, porque estou terminando meu curso de Direito, falta apenas o TCC. Segundo, preciso fazer uma avaliação jurídica. Não pela possibilidade de ser candidato, pois tenho toda condição de ser. Nós temos uma acusação, mas não temos uma condenação. Estamos no processo de defesa. Mas, naturalmente, preciso fazer essa avaliação até por respeito aquele que me defende, que é o Dr. Nilton Macedo. Ele está de férias no exterior e retorna neste final de semana. Na semana que vem nós faremos essa avaliação”, pontuou.
Quando questionado sobre qual seria sua motivação para pleitear uma cadeira no legislativo tubaronense, Joares salientou que – agora – esse objetivo se tornou uma oportunidade para defender ideias que não conseguiu executar enquanto prefeito, uma vez que renunciou ao cargo dois anos antes do final do mandato, além de ter gratidão ao pré-candidato a prefeito pelo PP, Jean Abreu Machado, que é presidente da sigla e lhe fez o convite.
“O Dr. Jean foi uma grata revelação. Ele agiu com extrema lealdade no momento difícil que passamos. Não titubeou em nenhum momento”, destacou. “Eu comecei minha vida pública 28 anos atrás como vereador. Sendo candidato ou não, vou trabalhar muito”, continuou.
Sobre a Operação Mensageiro, Ponticelli mencionou sua fé como principal alicerce.
“Resisti 135 dias [preso] de uma acusação em que a tese nós desmontamos na defesa. É muito difícil. Segurei e voltei pela minha fé. Recebi muita solidariedade, apoio e orações. Tenho muita coragem e disposição e vou continuar lutando para provar minha inocência”, desabafou.
“Infelizmente, o processo anda muito lentamente. Nós tivemos aqui [em Tubarão] aquele episódio onde os nove juízes da Comarca se declararam impedidos para julgar. Isso foi até um fato inédito em Santa Catarina. Isso fez com que o processo fosse para Jaguaruna, onde a juíza de lá atuou por um tempo; depois, foi para Capivari de Baixo; em seguida, veio para Tubarão e, agora, um novo juiz ta assumindo. Estamos indo para o quarto juiz. Tem que ter paciência, resiliência e convicção que ao final vamos comprovar minha inocência”, comentou sobre a lentidão do processo em que é réu.
A RENÚNCIA DE JOARES PONTICELLI
Joares Ponticelli renunciou ao cargo de prefeito de Tubarão no dia 9 de julho, juntamente com seu vice, Caio Tokarski (União), que também é réu na Operação Mensageiro.
Os dois foram presos preventivamente no dia 14 de fevereiro, suspeitos de participarem de um esquema de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro no setor de coleta e destinação de lixo.
Atualmente, ambos respondem ao processo em liberdade cumprindo medidas cautelares. Ponticelli foi solto em 29 de junho de 2023 e Tokarski em 1º de setembro do mesmo ano. Além do uso de tornozeleira eletrônica, os gestores não podem se falar e nem entrar na Prefeitura de Tubarão.
Ouça a íntegra da entrevista aqui.










