Ao menos 15 militantes bolsonaristas moradores da região da Amurel participaram dos atos antidemocráticos, em Brasília, neste domingo, dia 8 de janeiro. Eles foram até à capital federal de ônibus.
O registro do grupo foi feito em Uberaba (MG). Henrique Bueno, um dos manifestantes, usou as redes sociais para publicar um vídeo em agradecimento aos empresários que liberaram seus funcionários para participarem do ato. Entre outros municípios, a caravana conta com entusiastas de Armazém, Tubarão, Braço do Norte e Imbituba.
“Nós queremos fazer um agradecimento aos empresários que liberaram os seus funcionários para estar aqui com a gente. São vários os casos de patriotas que, por motivos alheios as suas vontades, não puderam estar para acompanhar a gente, mas liberaram seus funcionários para estar aqui. Então, para vocês, patriotas, de fatos e de direita, nós temos uma mensagem: Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.” [sic]
Já em Brasília, duas mulheres registraram seus atos também através das redes sociais. Uma delas foi Camila Mendonça Marques, empresária de Tubarão. “A expectativa é de muita gente aqui nessa tarde; muitos ônibus chegando também. Tudo por um país melhor. Estamos aí na luta!”.
Em nota, a empresa Pisart, de propriedade de Camila, afirmou que “O posicionamento político de qualquer de seus colaboradores não tem nenhuma relação com a atividade empresarial da PISART” e que “repreende e recrimina atos de vandalismo praticados contra a sede da PISART, em uma aparente retaliação que não deve ser dirigida à empresa”. Disse também que tomará todas as medidas cabíveis para apurar os atos criminosos que foi vítima. Leia a nota na íntegra:
A PISART, empresa com atuação no ramo da construção civil há bastante tempo vem, perante seus clientes, parceiros e seguidores em geral, ESCLARECER que:
– O posicionamento político de qualquer dos seus colaboradores não tem nenhuma relação com a atividade empresarial da PISART;
– Em razão do disposto acima, repreende e recrimina atos de vandalismo praticados contra a sede da PISART, em uma aparente retaliação que não deve ser dirigida à empresa;
– Nesse contexto, a PISART informa, para todo e qualquer fim, que todas as medidas, administrativas e judiciais, para apuração de atos criminosos dos quais foi vítima, no corrente dia;
Por fim, a PISART registra, com o mesmo profissionalismo que sempre p atuou suas atividades, que continua exercendo, normalmente, sua atuação empresarial, detém, também, importante função social, com geração de empregos e venda.”
Após o episódio, a PISART desativou os comentários de suas publicações.
Com os ânimos mais exaltados, uma senhora identificada como ‘Dona Fátima’, de 67 anos, apareceu em vídeo dizendo que estava quebrando tudo e que, depois, o objetivo era pegar o ‘Xandão’, se referindo ao ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes.
“Quebrando tudo e cagando nessa bosta aqui! Vamos pra guerra, é guerra! Vamos pegar o Xandão, agora.”, assumiu a idosa cometendo atos de vandalismo.
Dona Fátima desativou sua conta no Instagram.
Não há informações se os envolvidos da região da Amurel foram presos.
Neste domingo, dia 8 de janeiro, milhares de bolsonaristas radicais invadiram a Praça dos Três Poderes, a sede do Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. Eles quebraram vidraças e móveis, vandalizaram obras de arte e objetos históricos, invadiram gabinetes de autoridades, rasgaram documentos e roubaram armas.
O presidente Lula, que estava em SP no momento dos atentados, voltou a Brasília à noite e decretou intervenção federal para assumir a segurança pública do Distrito Federal, onde está Brasília.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, afastou do cargo por 90 dias o governador do DF, Ibaneis Rocha.
O movimento que ocorre há semanas em Brasília, com um acampamento em frente ao QG do Exército, foi reforçado por mais de cem ônibus que chegaram de todo o país com cerca de quatro mil pessoas neste fim de semana, com ações combinadas por meio das redes sociais. Mesmo assim, o governo do DF não adotou medidas suficientes para proteger os prédios.










